Friday, May 20, 2005

Indiomas e universo pensado

Geralmente não gosto de incomodar as pessoas mas o Ganda insistiu muitissimo :P
Faz algum tempo que li algo de Vergílio Ferreira no livro PENSAR que me fez pensar bastante e que ao fim de meses não sei muito bem que pensar.
Será que o nosso indioma afecta o modo como pensamos os universo? Esta é a primeira questão do livro colocada pelo senhor e que me deu bastante que pensar (foi por isso que não li o resto). À partida para a pessoa mais desatenta poderá parecer uma pergunta tola, podemos pensar logo e responder algo do género:
-Ah que tolo! Claro que não, as noções físicas e etc do universo são globais e qualquer pessoa seja Inglesa, Portuguesa ou esquimó pensa sempre o universo com as mesma linhas e agulhas.
Porém Vergílio incendeia a discussão quando nos informa que existe uma tribo nos USA que não possui no seu indioma palavras que refiram o ESPAÇO e o TEMPO. Portanto pessoas desta tribo que não saibam outra lingua não conseguem filosofar o universo dos mesmos modos que por exemplo nós portugueses. Ou não, não sei muito bem.
Será que a nossa matriz linguistica molda a forma como pensamos o que nos rodeia ou será simplesmente que temos outra forma de pensar, em vez de um cruzamento fazemos uma rotunda, ou por outro lado sim afecta o nosso pensamento. Se pensarmos bem... se quisermos pensar e contruir um raciocinio sobre o universo sem os conceitos de espaço e tempo estamos um bocado de mãos atadas.

8 comments:

ganda said...

É claro que molda... Alguém tem dúvidas que o português rula?? eu não... epá e não se esqueçam que somos a 6 lingua mais falado do mundo... O que interessa essa tribo que só deve ter meia dúzia de macacos??

ganda said...

Agora um pouco + a sério.
Eu não diria que a linguistica muda a forma de pensar. Diria que o conhecimento sim muda a forma de pensar. Especialmente o conceito de espaço. E especialmente também o conceito de tempo. Portanto especialmente o tempo e o espaço.

Bom também é verdade que não existe a palavra "saudade" a não ser na lingua de camões, e significará isso que os que falam outras linguas não conhecem o sentimento?

ganda said...

Já agora, Bem vindo Oprchni(lhrighsih), TZ e Pandora.

Ou ainda não tinham reparado que temos novos membros??

ZP said...

Claro que reparei que temos novos membros, bem-vindos!

dharyk said...

huh? novos membros? quem, quando, onde?

e ja agora acho um bocado dificil haver algum genero de linguagem que nao comporte no seu vocabulario referencias a passagem do tempo ou espaciais. a nao ser que so nao existam vocabulos homologos de ESPACO e TEMPO, ate porque se n tiverem esses vocabulos como dizem "ate logo", ou "vou ali e ja venho", ou "daqui a 5 minutos vai ver se eu tou na esquina" (esta foi so pra dar um exemplo de uma frase com os dois conceitos).

quanto a questao levantada pelo(a) novo(a) membro de nome impronunciavel. nao e bem questao da lingua, mas sim dos conceitos em si... podem n ter palavra para certos conceitos, mas podem entende-los... lembrem-se que saudade so existe em portugues, mas n somos so nos que sentimos saudades (as vezes sou um poeta!)...

e mai' nada!

Vanadis said...

Mas se pusermos a coisa noutros moldes e pensarmos que aquilo que os nossos sentidos limitam o nosso conhecimento...

Ou seja, os nossos cinco sentidos apenas nos permitem distinguir determinados sons, determinadas cores, determinadas sensações tácteis, determinados cheiros...o nosso Universo é, portanto, determinado (em parte...ou talvez na sua totalidade) pela percepção que temos do que nos rodeia.

Por exemplo...quantas cores tem o arco-íris? Sete, dirão vocês. E uma oitava cor? Conseguem imaginar uma oitava cor? Mas, atenção, não pode ser uma mistura ou derivado das outras sete cores que já tão bem conhcecem. Uma oitava cor, mesmo, totalmente nova, diferente, inexplorada...tentem lá...conseguem? SE conseguirem, estão de parabéns...provavelmente foram abandonados na soleira da porta terrestre vindos de uma qq nave espacial em fuga. Ou seja, os humanos não conseguem imaginar uma oitava cor porque, pura e simplesmente, a percepção visual de que são dotados determinou que só tivessemos consciência de 7 cores fundamentais. Se existe mais alguma, não a conseguimos ver, nem sequer imaginar. Portanto, já aqui vemos o nosso conhecimento a ser limitado.

E a questão das dimensões? Só conseguimos ver a 3 dimensões. Sabiam que o escaravelho só percepciona 2 dimensões? No entanto, se lhe puserem uma pedra à frente, ele desvia-se. Para ele, a pedra é uma força qq que o obriga a desviar-se. Mas ele não consegue percepcioná-la na totalidade.
Quem nos diz a nós que o Tempo e o Espaço não são mesmo outras dimensões, outras "pedras" no nosso caminho que nos obrigam a agir de acordo com as suas propriedades (a pedra obriga o escaravelho a desviar-se, sem ele perceber lá muito bem pq), mas sem se nos revelarem na sua mais complexa e total faceta?

Portanto, pelo menos em termos de idiomas humanos no geral, o facto de se falar "à terrestre", o facto de se ser terrestre e não extra-terrestre, ou -para usar já um exemplo palpável- de se ser humano ou canídeo, ou felino, ou, ou, ou, condiciona o nosso conhecimento e, logo, a nossa percepção do universo.

Eu diria mais, que é o conhecimento que molda o idioma, e não o contrário. Admito, logicamente, que o idioma condiciona o tipo de raciocinio. Isto é, "pensar em inglês" e "pensar em português" pode ser muito diferente. Mas, no fim, vai tudo dar ao mesmo. porque primeiro conhecemos, e depois transpomos esse conhecimento para palavras e idomas. Não o contrário propriamente dito.

Acho eu! Ou acham os 3 cafés e as 3 horas de sono!

(é que tive exame de Socorrismo hoje...fiquei com 17, pessoáu!!! e já me falaram em fazer um curso de tripulante de ambulâncias, para aperfeiçoar a prática...porque é que será que agora que acabei o curso de bioquímica é que descubro mil e outras coisas que talvez preferisse ser...?)

Vanadis said...

A propósito, bem-vindo novo-membro-com-nome-impronunciável. Já agora, é menino ou menina? :-)

Vanadis said...

Isto estava a ter um rumo tão fixe...comentem, comentem! Filosofem! Deixem-me beber as vossas palavras e filosofias, u-gandeses! Só assim os espíritos permanecem abertos.
Se bem que muita gente me ache um espírito fechado. A esses costumo dizer que não me conhecem nem um bocadinho, nem se dão ao trabalho de conhecer. Estão tão atarefados a olhar para o próprio umbigo a acharem-se superiores intelectuais que julgam que descortinam tudo sobre as pessoas...
Oras aqui está...o universo pensado também está relacionado com aquilo que pensam de nós e que, inevitavelmente, ajuda-nos a criar uma imagem de nós mesmos que não corresponde à realidade. E sem querer, transformamo-nos nessa pessoa, apesar de sermos uma outra, totalmente diferente.
Portanto o nosso universo está condicionado pelo que os outros acham de nós e por aquilo que vemos nos outros.
E, não raramente, deparamo-nos com pedras e espinhos em pessoas que supostamente não os deveriam ter. E não compreendemos. Ficamos chocados, magoados, desnorteados. E quem chocou, magoou e desnorteou pode dormir descansado e com a sensação egoísta de missão cumprida.
Enfim, desviando-me ao assunto, apenas posso dizer que vai haver menos uma amizade no mundo...é assim, quando nos enganamos, enganamo-nos e magoamo-nos.